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Rimas das Gerais

Atualizado em: 10/03/2020

Até quando a gente tenta mudar as palavras do poeta, Minas proporciona rimas que são únicas. Nossa terra, além de ser palco de destinos deslumbrantes, é berço de poetas consagrados, como o aqui parafraseado Carlos Drummond de Andrade e tantos outros. Viajar por Minas é também, viajar pelas palavras. Contar as histórias que aqui vivemos, os pratos que degustamos e as belezas que enxergamos passam por esse lugar de inspiração, e o território mineiro é com certeza responsável pela visão dos poetas, tanto os já consagrados como os que nascem todos os dias, em todos os cantos do estado.

Em homenagem ao dia da poesia, listamos aqui alguns dos principais poetas mineiros, suas relações com o nosso estado e principalmente, destinos que vão te conectar com esses grandiosos da literatura nacional.

Abílio Barreto- Diamantina/ Belo Horizonte

Dramaturgo, jornalista e poeta, o Diamantinense que se mudou ainda menino, presenciou o desenvolvimento da capital mineira. Sua obra retrata principalmente as relações humanas, tendo como plano de fundo as cidades e ambientes por onde passou.

Quem tem costume de andar por BH provavelmente está familiarizado com o nome do escritor, já que, para homenageá-lo, seu nome foi dado a um dos museus da cidade, e é dedicado a contar a história de Belo Horizonte e preservar a memória cultural da cidade. Nada mais justo, se tratando de agraciar quem viu Belo Horizonte nascer, né?

Adélia Prado- Divinópolis

Nascida em Divinópolis, cidade que fica a 120 quilômetros de Belo Horizonte, a mineira lançou seu primeiro livro aos 40 anos. Escrevendo sobre os fatos do dia a dia, a mineira sempre insere em seus poemas elementos que são típicos do estado e de sua cidade de origem.

“Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.”

Existe coisa mais mineira que um trem-de-ferro? O meio de transporte mais charmoso de todos, retratado no poema acima, é também um atrativo a parte na cidade da poetiza mineira. Localizada no bairro esplanada, a maria fumaça construída nos anos 40 que serviu de transporte para milhares de passageiros que cruzavam o município hoje, enfeita o bairro e é um ótimo lugar para relembrar a nostalgia do passado, vivendo o presente.

Francisco Alvim- Araxá

Nascido em Araxá, Chico Alvim é um poeta e diplomata brasileiro que começou a escrever por influência da irmã, Maria Ângela. Revelado nos anos 1970, fez parte de um grupo de poetas pós modernistas. Francisco foi duas vezes campeão do jabuti, prêmio mais importante da literatura brasileira, em 1982 e 1989.

Araxá une as principais características que fazem de Minas um destino imperdível. A culinária representada por doces típicos, possibilidades de esportes radicais e de apreciação da natureza tornam a cidade um lugar inspirador. Outro destaque imperdível para quem a visita, são os museus, com acervos que contam a história do município e de Minas, com certeza a ida a Araxá proporcionará muitos versos e rimas inesquecíveis.

Carlos Drummond Andrade- Itabira

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Nesta poesia, chamada “Confidência do Itabirano”, já é possível perceber que o amor de Carlos Drummond de Andrade por sua terra natal fica explícito no seu trabalho. Esse regionalismo é uma das principais características da corrente literária do autor (a segunda fase do modernismo), além de demonstrar um apego pela cidade do interior do estado.

Itabira é reconhecida pelo famoso festival de inverno e por seus atrativos naturais. Na cidade há ainda um museu dedicado a vida e obra do poeta, construído no Pico do Amor, que é citado nos versos da poesia “Ausência”, um ótimo lugar para se inspirar, seja pela escrita de Drummond ou pela maravilhosa vista da cidade.

E aí, ficou inspirado? Nosso estado tem trilhas que rimam com todos os caminhos, bora colocar o pé na estrada e viajar junto por todos esses lindos lugares?

   

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